Teste Mercedes-Benz EQA 350 4MATIC: Lei da (a)tração

A multiplicação de ofertas nas gamas eletrificadas surge como uma evolução natural da transição dos construtores para a mobilidade elétrica, contrariando o cenário cada vez mais antiquado de uma única versão elétrica para um determinado modelo. O EQA tem por base a mesma plataforma e muitos componentes do GLA, aproveitando dessa forma as economias de escala que proporciona a conversão direta sem prejuízo de características como o espaço interior a funcionalidade.

Tal como no EQA 250, apenas com um motor elétrico e tração dianteira, o EQA 350 4MATIC destaca-se pelo seu interior altamente evoluído com a dupla de ecrãs do MBUX a dominarem o ambiente. Configuráveis, nítidos e de fácil interação, os dois ecrãs surgem horizontalmente no tablier, com 10.25″ cada um, proporcionando um visão ‘widescreen’ que já é usual na marca. O ecrã central é tátil e serve para controlar uma grande série de sistemas do EQA, havendo ainda a possibilidade de se optar pelo comando vocal ‘Hey Mercedes’ para interagir nalguns parâmetros com o veículo, como pedir para ligar o aquecimento ou o ar condicionado.

O espaço a bordo é interessante, permitindo viagens confortáveis para quatro adultos de maior estatura sem grandes problemas, embora a passagem dos pés ao aceder ou sair dos lugares traseiros obrigue a algum esforço suplementar. A bagageira, com 340 litros, está longe de ser excecional para um SUV com quase 4,5 metros de comprimento (4463 mm). Chega para as viagens de fim de semana ou para as compras da semana…

Rapidez de respostas

A grande diferença face ao EQA 250 está na composição motriz, com este 350 4MATIC a dispor de dois motores elétricos para uma potência combinada de 215 kW, ou seja, 292 CV, e 520 Nm de binário máximo, numa conjugação que oferece ainda tração integral em sistema 4MATIC. 

Na dianteira está montado um motor assíncrono (ASM), enquanto na traseira está um motor síncrono de excitação permanente (PSM), considerado mais eficiente. No caso desta versão 4MATIC, a entrega da potência dos dois motores é controlada 100 vezes por segundo por um sistema de controlo eletrónico que avalia diversos parâmetros, como o deslizamento das rodas ou a pressão no acelerador. É ao motor traseiro que cabe a predominância das operações, servindo então de meio preferencial de locomoção por uma questão de eficiência. Só quando a pressão no acelerador é mais intensa – ou as condições do terreno não são ideais – é que o motor assíncrono dianteiro é chamado a intervir, oferecendo pois o esquema de tração integral.

Em virtude deste esquema técnico, as prestações são, como seria de esperar, bastante voluntariosas, com acelerações dignas de desportivo (6,0 segundos dos zero aos 100 km/h), o mesmo se podendo dizer das das recuperações, que tiram partido dos 520 Nm de binário para impulsionar o EQA 350 de forma bem eficaz para outros ritmos. Face ao 250, perde alguma linearidade na entrega da potência, mas ganha em impetuosidade e desportividade das respostas.

Por outro lado, o controlo das trajetórias é preciso, embora seja curiosa a existência, também, caso se pressione o acelerador a meio de uma curva, de uma ligeira tendência de deriva da traseira quando se exagera em curva, o que permite explorar um pouco mais os limites. Porém, a tónica geral é a de um SUV extremamente agradável de viajar, que prima pelo conforto, mesmo com pneus de 18 polegadas (associados a jantes AMG aerodinâmicas), e pela boa insonorização. A estabilidade e a segurança estão asseguradas, tanto a velocidades de autoestrada, como em curva.

Os modos de condução são alterados a partir de comando dedicado (Dynamic Select), permitindo escolher entre o mais eficiente ‘Eco’, o ‘Comfort’ (por defeito) e o mais desportivo ‘Sport’, que torna a experiência de condução mais efusiva. Porém, pela possibilidade de maior eficiência sem alterar substancialmente as prestações, cremos que o modo ‘Eco’ é mais do suficiente para a prática quotidiana. Nota ainda para os modos distintos de regeneração a partir das patilhas atrás do volante, havendo um modo que permite ‘roda livre’ e dois de maior retenção para condução próxima à dos sistemas de pedal único, aproveitando a desaceleração proporcionada pelo nível mais elevado de regeneração (D–).

A bateria de iões de lítio tem uma capacidade ‘útil’ de 66.5 kWh, permitindo uma autonomia homologada em ciclo WLTP de 430 quilómetros, que nos parece exequível se se adotar uma condução mais eficiente. No nosso ensaio, obtivemos uma média de 16.7 kWh/100 km, abaixo até da média homologada de 17.6 kWh/100 km, o que comprova a eficiência do EQA 350 4MATIC. Para recarregar, é admitido um valor de até 100 kW em postos rápidos de corrente contínua (CC), nos quais 32 minutos repõem de 10 a 80% da carga da bateria. Numa ‘wallbox’ de 7.4 kW, uma recarga completa leva cerca de nove horas. 

Relativamente bem equipado, incluindo os dois ecrãs do sistema MBUX de 10.25″, entre outros elementos, o valor base é de 62.650€, que se revela ajustado, diferenciando-se suficientemente do EQA 250 de base, que tem um custo de 55.000€. A Linha AMG de equipamento acarreta elementos como o volante multifunções desportivo em pele, os tapetes AMG, estofos em pele Artico/Dinamica preto com pesponto vermelho, jantes AMG em liga leve de 18″, estética AMG, ar condicionado automático, elevando o custo final em mais 4700€. Entre outros opcionais, a versão ensaiada aproximava-se, assim, dos 70.000€.

VEREDICTO

Com uma postura bem mais desportiva, o EQA 350 4MATIC oferece uma experiência de condução mais voluntariosa, mesmo não sendo um discípulo da família AMG. As prestações e a motricidade são fatores positivos desta versão, assim como a tecnologia embarcada em termos de conectividade, nomeadamente, com o sistema MBUX a ser ainda facilmente destacável.

Se as prestações são claramente um ponto positivo face ao EQA 250, o diferencial de preço pode não ser suficiente para levar os clientes a escolher a variante 350 4MATIC, a não ser para aqueles que vivem em zonas montanhosas de condições meteorológicas mais complicadas, ou para aqueles que desejam acelerações mais intensas.

8 de outubro de 2021

Fonte: motor24.pt
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